Maya Gabeira faz apelo para obter reconhecimento de provável recorde mundial

Em janeiro de 2018, Maya Gabeira afirma ter surfado a maior onda da história do surfe feminino de ondas grandes em Nazaré, Portugal

Por Janaína Pedroso

Com a confirmação do recorde, a surfista seria a primeira brasileira a entrar para o Guinness Book, como a primeira atleta a surfar uma onda de 24 metros de altura.

Em entrevista exclusiva, Maya fala sobre os motivos que a fizeram criar o abaixo assinado para cobrar um posicionamento da WSL, já que a Liga é responsável por registrar os feitos no livro dos recordes (Guinness Book).

 

Confira a entrevista na íntegra:

De alguma forma sua história é parecida com a do brasileiro Rodrigo Koxa, que depois de um trauma bateu o recorde da maior onda já surfada.

Sim, é uma superação diária que eu vivo. Depois que Nazaré entrou no circuito de ondas grandes os desafios parecem ser ainda maiores. O medo existe é claro, e existe o respeito pelos limites, mas quando você vivencia é diferente. Não tem como explicar a sensação de surfar uma onda de 80 pés.

Na sua opinião, qual a razão de a Liga Mundial de Surfe (WSL) não ter se posicionado até agora?

Eu queria muito saber essa resposta. Honestamente eu não sei o que está acontecendo. Desde 2013 eu peço para que a categoria feminina seja criada no evento que premia os surfistas de ondas grandes, o Awards, e nunca tive uma resposta. E agora mais esse silêncio com relação à onda surfada este ano.

E como tem sido o diálogo sobre seus questionamentos quanto ao suposto recorde?

As respostas são sempre muito vagas e tudo me parece muito incerto. Cinco anos já se passaram e nada de fato aconteceu com relação à inclusão das mulheres na categoria Big Wave (onda grande).

Nesta temporada, em janeiro, eu estava me sentindo muito bem fisicamente e consegui surfar a maior onda da minha vida e nem sequer tive a chance de vê-la durante a premiação. Foi muito frustrante e confesso que me senti humilhada até. Omitiram completamente minha onda e continuam aparentemente com a mesma postura.

Eu não esperava ganhar, mas nunca imaginei que eles omitiriam minha performance do evento.

Como surgiu a ideia de fazer uma petição?

Fui à sede da WSL (Word Surf League) em Los Angeles, tive uma reunião e uma parte da equipe me pareceu bem desinformada, se não me engano era o primeiro ou segundo ano que a Liga tinha “adquirido” o evento, mas pareciam estar com vontade de ajudar. Porém de uma forma muito vaga.

Foram diversos e-mails enviados e nenhuma resposta concreta. Eu dei um limite de três meses, e como não tive retorno só me restou fazer esse apelo.

Você sente que de alguma forma as mulheres são prejudicadas quando o assunto é onda grande?

Olha, falta respeito, pessoalmente seria mais fácil lidar com uma resposta negativa, do tipo “não concordamos com o tamanho da sua onda” ou “não incluiremos as mulheres na categoria Big Waves”, do que o silêncio. O silêncio tem sido muito triste.

Eu sinto que de alguma forma a categoria feminina está abandonada. Fui pioneira neste esporte, estou habituada a quebrar barreiras, mas confesso que tem sido muito frustrante.

O que você espera com este abaixo assinado?

Eu tive que me expor, não é fácil e causa uma certa ansiedade, além do mais eu fico tentando achar palavras para tentar não machucar ninguém, mas era a única coisa que eu podia fazer. Eu espero que, de verdade, as mulheres que vierem depois de mim não passem por isso, porque é realmente desgastante.

Me parece que não basta pegar a maior onda do mundo, é preciso brigar para que reconheçam que ela exista.

Tem mais alguma coisa que você gostaria de dizer?

Nunca me vi nessa situação, mas realmente estou pedindo ajuda. Eu não fui suficiente para que eles entendam que a mulher também precisa de um espaço garantido na categoria de ondas grandes.

Tive que recorrer às pessoas que acreditam, que apoiam e defendem as mulheres neste esporte, por isso peço a ajuda de todos, acho que é isso, obrigada pela oportunidade.

O outro lado

Procurada pelo site, a WSL respondeu por meio de seus representantes, que enviaram a seguinte respostas às críticas da atleta:

“Temos um enorme respeito por todos os nossos surfistas de ondas grandes. Estamos em discussões ativas com o Guinness há algum tempo, sobre o tema da revisão da incrível onda surfada por Maya Gabeira em Nazaré no início deste ano. Estamos ansiosos para continuar celebrando o surfe de ondas grandes masculino e feminino com um anúncio em breve “.

 

Nota: esta entrevista só foi possível graças a Patrícia de Almeida, fundadora do Instituto Guardiãs do Mar, que ao lado de outras pessoas estão trabalhando para que esta petição chegue aos “quatro cantos” do mundo.

 

Autor: origemsurf

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6 Comentários

  1. Ola mundo!!!!
    Alem de ser fã da Maya
    Sou brasileira e tenho muito orgulho do que ela representa no surf mundial
    Acho que ela merece todos os créditos desse recorde ,e todos os méritos também!!!
    E que seja enfim reconhecidobos seus direitos perante essa façanha de coragem inigualável.
    Pronto falei….
    Tamu junto!!!!

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    • Olá, Graça! Obrigada pelo contato! É isso aí, nós também somos fãs da Maya e de tudo que ela representa para o esporte!
      Estamos na torcida! Bjs, jana

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  2. Olá Maya!
    Faz alguns dias que assinei sua petição com muito prazer.
    Sou seu fã!
    Como disseram aí em cima “VAI FUNDO”!!!
    Não abra mão de nada!
    Sou uma cara de 69 anos que nada maratonas aquáticas em águas abertas e vou fazer minha primeira aula de surf neste verão.
    Tâmo todo mundo junto torcendo por você!!!

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    • Olá, Gau! Obrigada por seu relato! É isso aí, essa grande atleta merece ser reconhecida 🙂

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