Lagoa Surfe Arte, maior festival da cultura surfe do Brasil, resiste à falta de incentivos e patrocínios

A quarta edição do evento, que acontece em Florianópolis (SC), entre 09 e 19 de outubro, batalha para encontrar marcas parceiras, mesmo tendo apoios de peso como o MIS (Museu da Imagem e do Som) e a Fundação Catarinense de Cultura

Por Janaína Pedroso

Era abril, mês de tantas datas comemorativas, quando a organização do maior festival cultural e artístico de surfe começava a tomar corpo. O Lagoa Surfe Arte (LSA) iniciava sua quarta edição a exatos seis meses antes do evento idealizado e organizado por Fabrício Flores Nunes, 40 anos, Engenheiro de Aquicultura, dois pós-doutorados na área e muito amor pelo surfe – um autêntico surfista de alma.

“Meu surfe é medíocre, corri umas poucas baterias em toda a minha vida. Tenho poucas fotos das sessions que já fiz nesses últimos 25 anos de água salgada. Nunca dei um aéreo, e não deixo de dormir por isso.” Relata Flores, em um de seus artigos publicados na internet.

Depois de uma viagem longa por Portugal e ter conhecido de perto o SAL, Festival de Cinema Surf em Lisboa, o surfista que também é shaper das alternativas e nada convencionais Sea Cookies Handshapes – marca de pranchas feitas à mão – voltou ao Brasil com uma missão: conectar outros surfistas de alma e promover um festival como o português no Brasil.

Dito e feito, em 2015 surgia a primeira edição do Lagoa Surfe Arte. Ao longo das edições em que o Festival ocorreu é possível notar seu crescimento, já que na segunda edição, em 2016, o público estimado foi de 350 pessoas. No ano seguinte, 2017, o número saltou para 2 mil visitantes. Este ano, a organização espera dobrar o número de pessoas ao longo dos 10 dias de evento, entre galeria, festival de cinema e dias de praia.

Para Fabrício, que vê o surfe e a arte como movimentos intrínsecos, o maior desafio foge do aspecto artístico e se conecta direto às objeções do capital, já que tem sido difícil encontrar marcas patrocinadoras que valorizem o surfe e as manifestações artísticas que o cercam.

“A arte e o surfe andam juntos. A partir do momento que existe um surfista que se veste de uma forma determinada, que é a moda, e que surfa com uma escultura feita à mão e corre nas ondas como uma dança, não tem como separar surfe da arte e a arte do surfe. Além da descrição destes momentos, que facilmente poderia ser narrada em forma de poesia ou música” diz Flores.

Apesar do know-how e de parcerias consistentes, o mercado do surfe parece não estar disposto nem preparado para valorizar tipos de iniciativas como o Lagoa Surfe Arte. O evento tem parceria internacional com festivais portugueses e este ano despertou o interesse de outros festivais franceses por conta do seu júri sempre muito técnico. O Festival de Curtas do LSA vem se firmando com um dos principais festivais de cinema surfe da América do Sul. Este ano as inscrições dobraram, com produções nacionais e de países como EUA, França, Itália, Eslovênia e outros.

Sexta Jazz da edição passada, no Aliança Francesa. Foto André Motta.

“O país está em crise há pelo menos quatro anos, idade do LSA, mesmo assim estamos numa crescente linda por ser muito diferente de tudo que é feito. Somos quase uma utopia no Brasil de agora, ainda mais com o surfe em decadência nacionalmente, apesar da dilaceração que vemos em nível mundial”, completa se referindo aos atletas brasileiros no tour deste ano.

Com cotas que variam entre 5 mil e 50 mil reais, o único e mais importante Festival de Arte e Cultura sobre o surfe permanece vivo graças aos apoiadores e gente que acredita na importância de fomentar projetos como o LSA.

“Sabemos que investimento em cultura não é de interesse da maioria dos empresários, tanto que a verba de apoio à eventos vem do marketing, que é o primeiro setor a perder percentualmente seu potencial nos primeiros sinais de crise”, explica.

A organização do evento agradece aos fieis parceiros, que se mantiveram conscientes e dispostos a valorizar e incentivar a cultura surfe por meio do LSA. Os apoiadores são, em sua maioria, compostos por marcas locais, muitas vezes de amigos, e pessoas que se dedicam voluntariamente à missão de fazer o evento acontecer.

 

Marina Werneck e Fabrício Flores Nunes durante a entrega do prêmio no Festival de Cinema LSA, 2017. Foto: Paulinho Sefton

Autor: origemsurf

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4 Comentários

  1. Não desistam galera. Esse projeto é fantástico.

    A estrada é sempre tortuosa e com muitas pedras no caminho mas se não fosse assim a vida seria sem sal e as conquistas sem glória.
    Abraço

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