Profissão: Surf Coaching!

Photo: Kristin Scholtz

Junto com as primeiras braçadas, normalmente, tivemos alguém nos auxiliando: o pai, o irmão mais velho, o tio ou mesmo aquele amigo disposto a nos orientar com as primeiras dicas. “Deita mais para frente”, “rema forte” “levanta mais rápido” são os toques mais frequentes que escutamos quando começamos a surfar.

Temos visto, cada vez mais, os surfistas profissionais também acompanhados por seus técnicos: Filipe Toledo e Ricardo, Gabriel Medina e Charles. Nestes dois casos, os pais se transformaram em técnicos e são responsáveis por exigir dos filhos-atletas uma performance perfeita, quase sempre. Outro exemplo é Leandro Dora, o Grilo, que além de treinar o filho Yago Dora, também trabalha com Lucas Silveira e com o atual campeão mundial, Adriano de Souza. Além de ter sido por muitos anos, o técnico de Ricardo dos Santos, assassinado em janeiro de 2015 por um policial em folga.

O ex-top Glenn Hall está fazendo toda a diferença na vida do líder do ranking Matt Wilkinson e também das australianas Tyler Wright e Laura Enever. O técnico vem ajudando Matt a manter o foco e a liderança do tour. John John Florence também está aproveitando a experiência do surfista profissional e técnico Bede Durbidge.  Já a surfista Carissa Moore conta com os serviços de treinadores locais, nas etapas de Margaret River, Bells e Snapers. “É demais ter alguém ao seu lado que tenha um conhecimento do local e anos de experiência naquele determinado pico”, conta Carissa.

Everton Silva, técnico da Effect Surf Coaching, aponta para uma tendência na categoria profissional. “Depois que o Medina foi campeão mundial os brasileiros viram a possibilidade, ainda mais perto, de uma carreira profissional como surfista. E a figura do Charles trouxe, junto a isso, a importância de um técnico”. Sua empresa está sediada em Ubatuba e conta com os surfistas profissionais Wesley Leite, Tales Araújo, Philippe Chagas e Luana Coutinho. Everton ainda trabalha com atletas amadores (categoria de base) e praticantes que não competem, mas desejam melhorar sua performance. “Somos como uma família, pois compartilhamos muitos momentos da nossa vida e acabamos construindo uma relação afetiva como de uma família”, diz Everton.

O 11 vezes campeão mundial tem uma opinião bem particular sobre treinadores de surf. “Nunca precisei de um. Sempre acreditei que a minha superação estava em aprender com meus próprios erros”, revela Slater. O também americano Nat Young segue a linha de Kelly e faz parte do time de atletas sem-técnicos. “Eu acho que eles custam caro (risos). Ter um técnico pode funcionar para alguns, mas para mim acredito que não.” Conta Nat.

Se entre os prós o técnico vem sendo uma figura cada vez mais exigida, para os que praticam por amor e diversão também vale experimentar a ideia de ter alguém orientando sua evolução. Afinal, estamos sempre em busca de uma rasgada mais forte, uma batida mais vertical, e um melhor aproveitamento a cada onda surfada.

Fotos: Reprodução Instagram/Facebook