Do Luxo ao Lixo: de que adianta ser Olímpico se não temos Circuito?

Foto: Todd Glaser

Surf nas Olimpíadas. Não se falou de outro assunto na mídia especializada, desde o anúncio oficial do Comitê Olímpico Internacional (COI) ontem (03.08) no Rio de Janeiro.  Também pudera, o sonho de ver nosso esporte brilhando no maior evento esportivo do mundo é motivo de celebração.

Mas o buraco é mais embaixo. Apesar de o momento parecer mágico, Gabriel Medina anunciar a notícia em pleno Rio de Janeiro durante as Olimpíadas no Brasil, são muitas as razões para pararmos pra pensar. Essa notícia é um bom motivo para a indústria do surf, amantes do esporte, atletas e entidades refletirem. Pesa sobre nós, brasileiros, inúmeras dificuldades e barreiras para nos tornarmos de fato olímpicos. Não temos um circuito nacional decente e falta incentivo nas categorias de base. Surf feminino então nem se fala, falta tudo! Sem contar a desastrosa organização do comitê brasileiro, vilas olímpicas inacabadas, notícias sobre pagamento de propinas, obras super faturadas e por aí vai.
Mas voltando ao surf, de fato ser olímpico é maravilhoso. Um motivo gigante para marcas investirem no esporte como deveriam, com circuitos sólidos para então, não apenas sonharmos com campeões olímpicos brasileiros de surf, mas de fato termos atletas preparados para garantir o futuro do esporte por anos a fio, com muitas e muitas medalhas olímpicas no peito.
O primeiro campeão mundial brasileiro estava animado ontem com o anúncio. “Pra mim seria uma honra e uma enorme felicidade ganhar uma medalha olímpica”, disse Gabriel na presença de diversos jornalistas que rodeavam o atleta na Vila Olímpica. Fernando Aguerre, Presidente da ISA, e que há anos defende a inclusão do surf nas Olimpíadas, também acompanhou de perto a decisão do COI. “Depois de décadas, de muito trabalho duro e dedicação, nós estamos muito felizes por ter o surf, oficialmente, como esporte olímpico”, disse Aguerre. A WSL também esteve presente com o CEO Paul Speaker, que parabenizou Aguerre e a ISA pela conquista.
Muitas questões ainda estão sem respostas, até 2020 muita coisa deve ser definida e anunciada a respeito de como e onde serão feitas as disputas. Por enquanto, a tecnologia desenvolvida por Kelly Slater, em parceria com diversos profissionais, ainda não está cogitada para Tokyo 2020. Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos.
Fonte: WSL / ISA / FMA Notícias